Quando uma empresa consegue alcançar um crescimento bem estruturado, pode chegar o momento em que a internacionalização de produto se torne uma opção para manter a expansão dos negócios.

Trata-se, no entanto, de um processo complexo, que requer muito planejamento e análises sob vários aspectos. Por isso, listamos neste post algumas dicas que são essenciais para iniciar as atividades de exportação. Continue com a leitura e saiba quais são elas!

1. Faça uma análise do ambiente interno da empresa e do mercado

O primeiro passo para começar a definir uma estratégia de internacionalização é fazer um estudo da atual situação da empresa. Isso pode ser realizado levantando algumas questões importantes, como quais são os objetivos, os interesses nos mercados externos e as estratégias que precisam ser adotadas na expansão da rede de contatos, por exemplo.

Feito isso, é necessário identificar os pontos fracos e fortes (aspectos internos) que a empresa possui, e apontar as possíveis falhas que podem prejudicar o alcance dos objetivos. Quanto às forças, estas podem ser aproveitadas e maximizadas, fortalecendo ainda mais o planejamento.

Para estruturar melhor essas análises, as separamos em 3 grupos de atividades:

  1. Etapa inicial: é o momento de avaliar a capacidade que se possui para ofertar produtos a esse mercado, assim como quem serão os potenciais clientes, qual é o potencial para se criar as relações comerciais externas, quais empresas podem se tornar parceiras, entre outras coisas;
  2. Etapa de implementação: envolve a análise das condições que a empresa possui para se estabelecer nesses mercados, bem como gerenciar as operações à distância;
  3. Etapa de internacionalização: trata-se de identificar qual é a capacidade que a empresa possui de concorrer com os negócios locais e se destacar no mercado.

Assim, em posse dessas informações que foram levantadas, já é possível criar um esboço de quais são os pontos que precisam ser desenvolvidos e ficar sob maior observação.

Avaliação do ambiente externo (mercado)

Se, por um lado, as forças e fraquezas estão ligadas aos processos internos da empresa, por outro as oportunidades e ameaças são os fatores alheios ao negócio, mas que podem causar impactos — positivos ou negativos — nos resultados.

E essa análise também é de extrema importância para a internacionalização de produtos, já que tais questões podem alterar o curso do planejamento que foi criado inicialmente.

Nesse sentido, é necessário descobrir os principais concorrentes, e os ambientes que já são dominados por eles, além de saber quem serão os parceiros, qual é o seu poder de barganha, e quais são as condições econômicas do mercado e do público-alvo.

Aqui, o raciocínio é o mesmo explicado anteriormente: enquanto as ameaças devem ser neutralizadas, as oportunidades devem ser aproveitadas ao máximo, ajudando a alcançar resultados ainda mais satisfatórios.

2. Verifique os aspectos legais

Outro ponto crucial que precisa ser levantado está ligado aos aspectos legais. Nesse sentido, é necessário ficar atento a documentações, leis específicas e outras exigências do mercado. Dentre algumas questões que precisam ser pesquisadas e definidas, podemos citar:

  • contratos específicos para cada relação jurídica da empresa;
  • organização da documentação para o caso de fusões e aquisições;
  • cláusulas de confidencialidade e não competição;
  • regularização de todas as pendências que a empresa possa ter — administrativas, jurídicas e tributárias;
  • possibilidade de haver a exigência de certificações de qualidade.

3. Identifique os principais desafios

Esses desafios podem estar relacionados tanto ao ambiente externo quanto ao processo de implantação e de manter, de fato, as operações. Para evitar que eles se transformem em algum impedimento ou afetem o alcance dos objetivos, vale a pena dedicar tempo para elaborar um planejamento de riscos.

Assim, se levanta todas as possibilidades, bem como o que pode ser feito para eliminar as dificuldades ou, ao menos, minimizar seus impactos. Dentre os principais desafios que se pode enfrentar, vale destacar:

  • a resistência dos colaboradores com relação às mudanças que precisam ser feitas na empresa;
  • a capacidade de aumentar a produção, considerando o aumento da demanda;
  • ausência de mão de obra capacitada;
  • resistência dos moradores locais do país de destino com relação ao produto novo;
  • diferentes aspectos na cultura, que pode fazer com que mudanças diversas precisem ser feitas nos produtos, nas embalagens, na divulgação, entre outros;
  • dificuldade de estabelecer parcerias no exterior;
  • dificuldades no acesso ao crédito no exterior.

4. Defina um planejamento estratégico

Agora que todas as informações foram levantadas, é hora de começar a desenvolver e formalizar o planejamento estratégico para internacionalizar a empresa. E é aqui que serão definidos os objetivos, as frentes de atuação e o plano de ação que será adotado, por exemplo.

Em outras palavras, esse documento funcionará como um “norte”, um caminho que será trilhado. Para isso, há uma tríade que precisa ser considerada:

  • método de atuação: que deixa claro os objetivos, as atividades que serão realizadas e os produtos oferecidos. Aqui também se determina os investimentos necessários para colocar tais questões em prática;
  • definição dos mercados: identificação dos mercados de atuação e levantamento das vantagens e desafios que cada um deles oferece. Para isso, os critérios utilizados podem ser a necessidade de regulamentações e certificações, restrições, sensibilidade a variações de preços canais de distribuição disponíveis, dentre outros;
  • estratégia de penetração de mercado: criação de um planejamento que envolve a entrada nos mercados selecionados. Nesse sentido, uma opção é contar com parceiros de negócio, como já dissemos.

5. Faça um benchmarking e acompanhe exemplos de empresas que já estão nesse caminho

Grosso modo, o benchmarking é a prática de avaliar as melhores práticas adotadas por empresas — que podem ser, ou não, do mesmo ramo de atuação — e identificar quais delas podem ser aplicadas no seu modelo de negócio, mesmo que precisem ser adaptadas.

Nesse cenário, o benchmarking pode ajudar a entender melhor os principais passos para a internacionalização de produto, além das dificuldades e dos aspectos positivos, entre outras coisas.

Bem, é claro que existirão diferenças práticas — mas esse ainda é um excelente ponto de partida para quem pretende começar do zero.

6. Prepare a empresa

Nesse momento é que se começa a parte prática da internacionalização de produto. E como, na grande maioria dos casos, ela requer mudanças nos métodos de trabalho — decorrentes da necessidade de adequação aos padrões de qualidade do exterior —, é preciso começar a aplicá-las.

Isso envolve, por exemplo, a mudança nas embalagens (para o idioma do país de destino), a utilização de matéria-prima que esteja dentro dos padrões mínimos de qualidade e o cumprimento dos outros requisitos que são exigidos.

E, para que essas alterações sejam bem-sucedidas, é preciso fazer o mapeamento dos processos, aplicar as modificações, monitorar os resultados e — caso sejam positivos — fazer a formalização dos novos métodos de trabalho.

Principais benefícios da internacionalização de produto

Diante de tudo isso, a principal vantagem que se espera é a expansão do negócio e um aumento do faturamento. Mas ainda é possível obter outros benefícios, como:

  • aumento da produtividade, em decorrência do aumento da produção para atender as novas demandas, o que também acarreta na redução dos custos fixos e redução da capacidade ociosa;
  • diminuição da dependência do mercado interno: mesmo que o cenário do país não esteja totalmente favorável, a empresa tem uma carteira de clientes diversificada e não fica tão vulnerável às oscilações que ocorrem internamente;
  • incentivos do governo: por meio dos programas de Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio (ACC) e do Adiantamento sobre Cambiais Entregue (ACE), as empresas que transportam produtos podem captar recursos a juros internacionais menores do que os praticados aqui no Brasil;
  • fortalecimento da imagem da empresa, que passa a ser reconhecida como uma exportadora, transmitindo uma ideia positiva de quem trabalha com qualidade e possui reconhecimento internacional.

Enfim, como vimos, o objetivo da internacionalização de produto não é — nem de longe — algo simples de ser feito. Porém, quando o planejamento é corretamente elaborado e os processos são bem estruturados, se torna uma ótima opção para as empresas que desejam expandir o alcance da sua marca.

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