Ninguém havia ouvido falar em crowdfunding, também conhecido como financiamento coletivo, até há pouco tempo, mas a nova modalidade de financiamento sofreu um boom nos últimos anos.

Por definição, o crowdfunding consiste na prática de levantar fundos para um projeto através de pequenas doações de dinheiro de um número grande de pessoas via internet. Ultimamente, esse método tem sido adotado, cada vez mais, por pequenas empresas. Porém, como tudo na vida, existem os prós e contras desse tipo de financiamento.

Desde seu começo humilde, o crowdfunding cresceu rapidamente e superou o financiamento de projetos peculiares e súplicas por dinheiro sem objetivos. De acordo com uma pesquisa da Massolution, uma empresa de estudos sobre crowdfunding e crowdsourcing, o financiamento coletivo será o principal meio de arrecadação de fundos de pequenas empresas e startups em poucos anos.

Essa conclusão já pode ser percebida através da existência de inúmeras plataformas de financiamento coletivo. Aqui no Brasil, a Catarse e a Kickante são as mais lembradas. Pela facilidade e praticidade dessas plataformas, não é surpresa de que o crowdfunding tenha se tornado tão atrativo às pequenas empresas. Afinal, elas são rápidas e menos trabalhosas e burocráticas do que ter de fazer empréstimos dedicados a pequenos empresários.

Mas, apesar das facilidades, é preciso se perguntar: esse método de financiamento é ideal para você?

Antes de começar uma campanha na sua plataforma de preferência, confira os prós e contras de usar o crowdfunding como meio de arrecadação de dinheiro para uma pequena empresa.

O que fazer

Assim como é necessário ler a bula antes de tomar um remédio, as letras pequenas das plataformas de crowdfunding também merecem atenção. Nem todos os financiamentos coletivos são criados da mesma maneira.

Por muitos anos foi possível arrecadar dinheiro para um projeto apenas dando algum produto aos doadores como recompensa e agradecimento pela ajuda. Atualmente, uma pequena empresa por arrecadar dinheiro via financiamento coletivo e dar aos contribuintes uma parcela da empresa em troca.

As opções são variadas, por isso é preciso considerar o que você dará em troca antes de começar uma campanha de crowdfunding.

Para separar as diferentes recompensas, as plataformas são descritas em três categorias:

1. Crowdfunding baseado em capital:
O contribuinte ou investidor recebe uma parcela da companhia em troca do dinheiro doado. Resumidamente falando, você abre mão de uma parcela da sua sociedade para o doador.

2. Crowdfunding baseado em recompensa
O contribuinte doa dinheiro para um projeto em troca de uma recompensa tangível e não-monetária, como a apresentação de seu nome no website da empresa, um produto vendido pela empresa, uma camiseta, ou algo tão simples quanto um cartão de agradecimento.

3. Crowdfunding baseado em dívida (empréstimo peer-to-peer)

Você pede dinheiro emprestado através da plataforma e faz um acordo de como o dinheiro será devolvido.

Algumas plataformas também trabalham com um sistema “tudo ou nada”. Uma delas é a Kickstarter. Lá, se você estabelecer a meta de $ 25 mil e a sua campanha arrecadar apenas $ 24,5 mil, seus doadores não serão cobrados e você não recebe nada.

Por que saber disso é importante?

Porque menos de um terço das campanhas de crowdfunding atingem a meta estabelecida.

Se o seu objetivo principal é arrecadar $ 50 mil, mas a sua empresa ficaria feliz com o que der para ganhar, certifique-se de que você escolheu uma plataforma que permite essa flexibilização.

Envolva família e amigos

Emprestar dinheiro de amigos e família para começar um negócio é sempre uma proposta arriscada. Se os seus planos não derem certo, você pode danificar um relacionamento importante com uma pessoa querida. Porém, de acordo com o site Fundable, amigos e família ainda são uma das principais fontes de financiamento para todos os empreendedores. Em 2014, eles foram responsáveis por um investimento de mais de $ 60 bilhões em startups.

A vantagem do crowdfunding, portanto, é que ele pode fazer com que pedir dinheiro para amigos e família seja um pouco menos estressantes. Se você escolher a categoria baseada em dívidas, o empréstimo da mãe e do pai pode ser melhor estruturado. Será possível tratá-lo como uma transação empresarial e provar a garantia de que o valor será pago com o tempo.

Seja simples

Independentemente do modelo que você escolher, será necessário atrair a sua audiência para que ela queira te ajudar. Para conseguir isso, a sua mensagem deve ser simples.

Investidores em potencial podem ter dificuldades para entender um conceito mais complexo. Para garantir a simplicidade da informação, pense no problema que o seu produto ou serviço resolve e depois explique-o. Explique também como o dinheiro arrecadado irá te ajudar a elevar o nível da sua pequena empresa.

Mantenha a descrição do seu projeto curta e concisa e insira um chamativo call-to-action de acordo com o seu interesse.

O que não fazer

Não tente criar seu próprio portal de crowdfunding. Quando as plataformas de financiamento coletivo se tornaram populares, foram estabelecidos algumas regularizações para que esses sites trabalhassem de acordo com as leis federais de segurança. Tudo isso fez parte de um processo caro e complexo, por isso, evite a dor de cabeça e economize dinheiro utilizando alguma das plataformas que já existem e já estão consolidadas no mercado.

Além disso, não peça dinheiro a não ser que você tenha a coragem suficiente para prosseguir com o seu projeto. A melhor maneira de mostrar que você acredita no seu negócio é investir seu próprio dinheiro no começo. Afinal, por que um estranho arriscaria o próprio bolso em algo que nem mesmo o idealizador acredita?

Quando o crowdfunding não funciona?

Se a sua meta for muito alta, é provável que você não consiga arrecadar todo o dinheiro necessário através do crowdfunding. Para isso, as melhores opções são os investidores de risco ou os tradicionais empréstimos para pequenas empresas.

Além disso, saiba que as plataformas de crowdfunding existem para ganhar dinheiro. Por isso, esteja preparado para pagar taxas entre 5% e 10%, o que vai reduzir o valor total arrecadado por sua campanha. Para evitar surpresas, considere essas taxas na hora de estabelecer a meta para o seu negócios.

Como começar a sua primeira campanha

1. Tenha um plano
Um financiamento coletivo de sucesso é mais do que uma descrição do que você fará com o dinheiro. Conte a sua história. Explique como o seu produto ou serviço vai resolver um problema ao qual o investidor em potencial se identifica. Demonstre que você sabe do que está falando e que o investimento no seu negócio vale a pena.

2. Organize suas contas
Algumas plataformas exigem que o empreendedor apresente algumas informações financeiras aos investidores. Dependendo da quantia que você deseja levantar, pode ser necessário que suas contas sejam revisadas por um contador.

Mesmo que a sua meta seja modesta, ter relatórios organizados de suas finanças mostra credibilidade. Isso é um sinal de que você leva o seu negócio a sério e se esforça para fazer tudo corretamente.

3. Identifique as plataformas ideais para você
Não existe uma plataforma perfeita para cada empreendedor. Afinal, todo mundo que está em busca de dinheiro para começar uma empresa têm objetivos e prioridade diferentes.

Uma boa maneira de escolher a plataforma ideal é fazer um relatório comparando os diferentes sites, ferramentas, taxas, o que você precisa dar em troca e quais plataformas são flexíveis.

Qualquer que seja a sua escolha, esteja preparado para trabalhar bastante, mesmo depois de lançar a campanha. Você precisará promovê-la continuamente e fazer com que a família e amigos façam o mesmo. Também será necessário estar disponível para se comunicar com os doadores e responder a perguntas sobre o seu negócio.

Se você fizer tudo certo, uma campanha bem-sucedida pode gerar frutos mesmo depois de ter sido finalizada, pois você vai ter criado uma base de clientes ávida, que continuará te apoiando e divulgando o seu negócio.

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