Contabilidade e organização financeira são aliadas essenciais para a otimização da gestão de uma empresa é a partir dos relatórios financeiros e contábeis que gestores e investidores tomam decisões em relação à captação de recursos.

Empresas de tecnologia e startups que buscam atrair empresários interessados em contribuir não somente financeiramente, mas também para auxiliar no desenvolvimento e expansão das suas empresas, devem estar atentas à importância da produção de relatórios financeiros e contábeis.

Vale lembrar que essas demonstrações financeiras precisam estar de acordo com a regulação de órgãos normativos. Para o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (IBRACON),

“as demonstrações contábeis são uma representação monetária estruturada da posição patrimonial e financeira em determinada data e das transações realizadas por uma entidade no período findo nessa data. O objetivo das demonstrações contábeis de uso geral é fornecer informações sobre a posição patrimonial e financeira, o resultado e o fluxo financeiro de uma entidade, que são úteis para uma ampla variedade de usuários na tomada de decisões”.

Assim, a finalidade dos relatórios financeiros e contábeis é representar a realidade de uma empresa de forma transparente ao mercado, comprovando a organização dos processos e demonstrando menor risco na aplicação de recursos para os investidores.

Nesse sentido, considerando que startups são empresas com características distintas de uma empresa mais tradicional, é fundamental ter como parceiro um escritório de contabilidade que entenda estas especificidades e auxilie a startup a se organizar e apresentar ao investidor relatórios condizentes com o seu contexto e realidade.

Balanço patrimonial

O balanço patrimonial é um relatório de extrema importância para as empresas interessadas em captar investimentos. Isso porque esse balanço demonstra de forma quantitativa e qualitativa a situação patrimonial e financeira da organização em uma determinada data.

O § 1º do artigo 176 da Lei 6.404/76 define, inclusive, que as demonstrações de cada exercício devem ser publicadas indicando os valores correspondentes do exercício anterior, para facilitar a comparação.

É o balanço patrimonial que apresenta os principais ativos e passivos gerados pela empresa no decorrer de determinado período. As contas devem ser classificadas e registradas em grupos para a conveniência do entendimento do investidor em relação ao cenário financeiro da empresa. Assim, o balanço é composto por:

  • Ativos, que dizem respeito às demonstrações dos bens, direitos e aplicações de recursos realizadas pela empresa, que futuramente vão gerar benefícios econômicos. Dentre eles estão os investimentos, valores a receber e quantia existente em estoque e caixa, por exemplo.
  • Passivos, que compreendem a origem dos recursos representados pelas obrigações da companhia com o fisco, terceiros e instituições bancárias, que são resultantes de fatos que exigem ativos para a liquidação.
  • Patrimônio líquido, que significa os recursos próprios da empresa ou mesmo as obrigações da organização perante os sócios. O cálculo do valor do patrimônio líquido é feito pela diferença entre o valor do ativo e do passivo.

Assim, ao final de cada exercício financeiro, e em todos os meses do ano, a empresa deve fazer o balancete, ou seja, relacionar todas as contas patrimoniais e de resultado — créditos, débitos e saldos.

É importante se ater à necessidade de realizar o ajuste das contas na data do levantamento do balanço, para que elas representem a exata realidade patrimonial da data, bem como as possíveis variações durante o exercício.

Demonstração de Resultado do Exercício (DRE)

A demonstração do resultado do exercício (DRE) está entre os relatórios financeiros e contábeis mais relevantes para uma empresa que busca pelos mais variados tipos de captação de aporte, desde o investidor anjo até os de perfis mais avançados. Ela mostra se o negócio é lucrativo e abre a estrutura de custos para uma avaliação mais adequada.

O objetivo principal desse relatório é apresentar o resultado do conjunto de operações realizadas em 12 meses, como as receitas, despesas e os custos para gerar esses resultados. A DRE deve contemplar as receitas e os rendimentos ganhos no período, além dos custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.

A DRE é obrigatória, de acordo com o Código Civil, independente do tipo de tributação da empresa e funciona como uma radiografia contábil da organização.

Essa demonstração proporciona maior visão ao gestor do negócio frente aos ajustes necessários para a condução da empresa e ainda abrir novas possibilidades de investimentos, já que o mercado terá acesso a dados fidedignos, que demonstram a realidade da companhia.

EBITDA

Outro relatório essencial para ajudar uma startup ou empresa de tecnologia a conquistar investimento é o EBITDA, que é produzido a partir da DRE. A sigla, que em inglês significa “Earning Before Interests, Taxes, Depreciation and Amortization”, traduzida corresponde a uma demonstração dos “Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização” (LAJIDA).

O indicador representa a geração operacional de caixa da empresa: o que ela gera de recursos nas atividades operacionais, sem levar em conta os efeitos financeiros — juros e depreciações — e tributários.

Esse indicador financeiro contribui para a análise do desempenho das empresas, já que é capaz de mensurar a produtividade e a eficiência da organização. Combinado com outros indicadores ele garante uma visão mais apropriada da performance empresarial.

Vale destacar ainda que o EBITDA é muito usado pelas empresas de capital aberto, já que fornece não apenas a possibilidade de análise do resultado final da empresa — lucro ou prejuízo —, como também do processo como um todo, o que favorece o uso no mercado de ações.

Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC)

Como o próprio nome diz, essa demonstração indica as saídas e entradas de dinheiro no caixa da empresa durante determinado período de fluxo. Assim como a DRE, ela também é um indicador dinâmico e pode ser incluída no balanço patrimonial.

Segundo a Lei 11.638/2007, todas as empresas de capital aberto ou com patrimônio líquido superior a dois milhões de reais são obrigadas a apresentar a DFC.

O relatório de fluxo de caixa é dividido em três grandes grupos:

  • Atividades operacionais: receitas e gastos referentes à industrialização, comercialização ou prestação de serviços da empresa. Elas estão ligadas ao capital circulante líquido;
  • Atividades de investimento: gastos realizados a longo prazo, em investimentos, no imobilizado ou no intangível, além das entradas por venda dos ativos;
  • Atividades de financiamento: recursos do Passivo Não Circulante e do Patrimônio Líquido — empréstimos e financiamentos de curto prazo.

Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL)

A DMPL é facultativa, mas também muito importante para as empresas que estão buscando investimentos, já que torna visível toda a movimentação das contas do patrimônio líquido durante o exercício. É uma demonstração completa e abrangente, que apresenta como o resultado gerado pela empresa foi aplicado.

Dentre as várias mutações nas contas patrimoniais estão: o acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício, o aumento ou a redução por ajuste de exercícios anteriores, a queda por dividendos, o acréscimo por reavaliação de ativos, a adição por doações e subvenções para investimentos recebidos, o incremento por subscrição e integralização de capital, entre outras.

Ainda que todo investimento tenha riscos, as empresas — principalmente as que crescem em ritmo acelerado, como as startups — precisam entregar informações de forma detalhada para garantir segurança aos investidores.

Os relatórios financeiros e contábeis ajudam na captação de investimentos demonstrando a estruturação do negócio, garantindo a transparência e segurança dos resultados, melhorando a administração de recursos, favorecendo a adaptação e o planejamento do negócio e apoiando na tomada de decisão dos investidores e dos empresários.

É fundamental que a preocupação com os relatórios e organização da empresa permaneça mesmo depois de conseguir o investimento. Por isso, a Syhus preparou o ebook “Minha startup recebeu investimento, e agora?” para te ajudar também nessa fase! Confira neste link.

São muitos os aspectos que influenciam no processo de captação de recursos para uma startup. Na sua avaliação, quais são os maiores desafios para conseguir investimentos? Fique atento às nossas dicas sobre contabilidade especializada para startups!

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