Entre as demonstrações contábeis obrigatórias de toda empresa temos o Balanço Patrimonial e o Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE), que ajudam ativamente na gestão do negócio.

Portanto, Balanço e DRE não podem ser vistos apenas como obrigações, pois seus dados e a maneira como são gerados ajudam na tomada de decisões e em análises detalhadas e necessárias.

Por isso, é fundamental saber como eles se diferenciam e como fazer as melhores avaliações de seus números.

Neste post, vamos explicar para você como são estruturadas essas demonstrações, como analisá-las e quais são suas principais diferenças. Acompanhe-nos.

O que é o Demonstrativo de Resultado do Exercício

O DRE é uma demonstração contábil que revela o lucro do período para o qual é emitido e como foi sua formação pela movimentação de receitas e despesas desse período.

Sua estruturação ocorre da seguinte forma:

  • faturamento bruto de vendas ou serviços prestados: total das receitas;
  • faturamento líquido de vendas ou serviços: é o lucro bruto, resultado do faturamento bruto menos deduções, como serviços cancelados ou vendas devolvidas, os custos dos serviços ou das vendas;
  • soma das despesas com vendas ou serviços, operacionais, gerais e administrativas;
  • lucro operacional;
  • lucro líquido antes do IRPJ e da CSLL, caso o regime tributário da empresa tribute o lucro separadamente;
  • valores de saídas por participações, como em distribuição de lucros para os sócios;
  • resultado do exercício: o lucro líquido final do período.

Com esses fatores, na estrutura do documento os componentes são elencados de cima a baixo, detalhados e têm os valores expostos.

O faturamento bruto é o primeiro fator, enquanto os demais subtraem o mesmo, por exemplo, pagamentos de despesas e obrigações diversas, ou adicionam, como as receitas financeiras, até que sobre o lucro do exercício.

Como analisar o DRE

Existem duas formas técnicas, porém fáceis, de analisar o documento, que geram respostas para questões estratégicas e ajudam o empreendedor a tomar decisões pelo negócio.

Uma delas é a análise vertical, feita com uso apenas da demonstração do período que está sendo avaliado. Nessa análise, o gestor atribui percentuais, realizando cálculos, aos componentes do documento em relação a outros fatores. Por exemplo:

  • faturamento bruto: R$300 mil;
  • despesas operacionais: R$79.800 (26,6%).

No caso, as despesas operacionais foram comparadas com o faturamento bruto, representando 26,6% do valor. Portanto, depois disso, o responsável poderia analisar se a porcentagem é alta ou coerente e tomar atitudes para adequar as despesas operacionais em relação ao faturamento.

Agora, pela análise horizontal são utilizados dois ou mais documentos, do período atual e de um ou mais períodos do passado. A finalidade é comparar os dados para avaliar mudanças ocorridas e o progresso da empresa.

Assim, após o posicionamento lado a lado dos documentos, os percentuais são colocados na demonstração mais recente em relação às anteriores.

Por exemplo, se em dois DREs temos um lucro líquido de R$100 mil no primeiro e R$120 mil no segundo, o mais recente, anota-se 20% de aumento no lucro para o demonstrativo atual em relação ao último.

O que é o Balanço Patrimonial

Balanço e DRE até podem compartilhar alguns dados, mas o Balanço Patrimonial leva em conta todo o histórico de movimentações do negócio para revelar sua situação patrimonial. Para isso, ele demonstra os ativos e passivos e o patrimônio líquido da empresa.

Dentro do ativo estão os direitos e bens, como móveis, imóveis e automóveis do patrimônio, dinheiro em caixa e contas bancárias e recebíveis a serem efetivados no curto prazo.

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No passivo temos deveres e obrigações, como contas a pagar, impostos, materiais e/ou produtos comprados e folha de pagamento.

Dentro do passivo também é posicionado o patrimônio líquido por questões técnicas — apesar de ser um dado positivo, contabilmente é devido pelo negócio aos sócios e, portanto, classificado como obrigação.

O patrimônio também é elencado dentro do passivo para equilíbrio entre os valores totais dos grupos, uma obrigatoriedade do documento. Por exemplo, tendo em conta um cenário ideal, o ativo pode somar R$ 200 mil, enquanto o passivo R$ 150 mil.

No caso, o resultado patrimonial positivo é de R$ 50 mil, obrigação para com os sócios que dentro do passivo iguala os valores dos grupos para a demonstração.

Como analisar o Balanço

Como o documento considera dados historicamente, desde a abertura da empresa, é necessário fazer a análise com o mesmo pensamento, além de em alguns casos avaliar dados individualmente.

Por exemplo, se a última demonstração resultou em patrimônio de R$ 30 mil e o segundo demonstrou R$ 50 mil, é preciso observar se o crescimento foi baixo ou dentro das expectativas.

Caso a empresa tenha gerado R$ 10 mil de patrimônio positivo nos últimos três anos, acumulando R$ 30 mil, significa que no último período o crescimento foi maior.

Por outro lado, se o negócio tem apenas dois anos significa que no segundo o crescimento foi menor, o que demanda investigação dos motivos.

Individualmente, a análise pode ajudar a prever como a situação será no curto prazo. Por exemplo, se há R$ 40 mil em recebíveis no curto prazo e quase o mesmo valor em obrigações a pagar no mesmo período, pode haver falta de capital de giro e problemas de fluxo de caixa. Assim, o responsável já pode se planejar para evitar problemas.

Quais são as diferenças entre Balanço e DRE

Primeiramente, temos a diferença de periodicidade entre Balanço e DRE. Enquanto o DRE abrange apenas o período atual, o Balanço diz respeito a todo o histórico empresarial.

As demonstrações também têm finalidades contábeis distintas. O Demonstrativo de Resultado do Exercício serve para revelar o lucro líquido e o Balanço Patrimonial exibe a situação patrimonial e o patrimônio líquido resultante do resultado expressado na DRE.

Para isso, seus resultados são gerados por contas contábeis diferentes. O DRE é formado pelas contas de resultado, como vendas e despesas, e o Balanço prioriza as contas patrimoniais, como contas futuras e bens.

Por fim, pelas diferenças, podem gerar resultados distintos. No mesmo ano pode haver lucro positivo no DRE e também lucro acumulado negativo no Balanço.

Caso no ano anterior tenha havido prejuízo de R$ 50 mil e no atual lucro de R$ 40 mil, o Balanço considerará historicamente perda de R$ 10 mil, mas na DRE haverá resultado positivo — apenas para o período — de R$ 40 mil. Por isso, é interessante analisar as demonstrações conjuntamente para evitar conclusões equivocadas.

Entendeu as diferenças entre Balanço e DRE, como analisá-los e para que servem? Agora, você pode fazer melhor uso gerencial da sua escrituração contábil e tomar decisões mais seguras.

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